segunda-feira, 25 de julho de 2011

Universo relativo


Eles faziam da rotina uma piada,
até se tornarem previsíveis, um para o outro.
Ele, ingênuo demais pra ser verdade,
ela, tinha colapsos de memória...
E mesmo assim eram felizes,
mais do que qualquer outro casal.
Nunca cansaram de fazer as mesmas coisas todos os dias
e de projetar sorrisos enormes.
Afinal, pra quem não os conhece.
É fácil fingir que o destino determina o meio.
Quando tudo isso não passa de relatividade.

Crônico


Em uma tarde qualquer...
Assim eu começo uma das historias mais clichês que possam ouvir.
Ela sai de casa e vai ao encontro de alguém
que lhe prometeu os dias e toda felicidade do mundo -
coisas que todo mundo promete e não pode cumprir.
Pena que os dias são intermináveis e longo demais
e a felicidade nem sequer cabia em seu rosto.
Ele simplesmente viu seu reflexo
e pensou em voltar, melhor, não continuar.
Hoje, quando andava pela cidade, a vi sentada imóvel.
Acho que ela ainda espera o príncipe encantado.
Ele está em pedaços, literalmente.
Alguém rasgou seus contos para que ele não enganasse a mais ninguém.
Ela parece mais uma estátua, e ele, uma lembrança de algo que nunca existiu.
Acreditem...

Estático

Estou aqui pra desencadear meus anseios,
como quem volta de um sono profundo.
É como encontrar o que não se pode acreditar,
mover uma peça que te deixa exposto.
Depois, bem próximo do sim, dizer não.
Algo que afunda e não se perde,
vira fortaleza e se pinta de cinza,
fixado ao chão no meio da praça.
Perdidamente apaixonado e só.

Do outro lado da rua


Há um corte rotineiro que te deixa triste.
Todas as emoções deviam ser infinitas.
E o que é o fim para quem quer o começo?
Será se é como o sol para quem quer a chuva?
O risco vale a pena no final.
O sorriso é encantador, como em outrora fora o último.
Enlouquecer e não sentir nada, morrer e não sentir dor,
são tudo as mesmas coisas?
Visões repetidas em um vidro quebrado,
como em um caleidoscópio que repete em todas as faces o orgulho.
Triste, simples e as vezes... cansativo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Flores que caem

Flores, vocês que se perdem
em meio aos espinhos e depois
morrem.

Que consomem a razão e
depois choram.

A quem se corta e depois
cresce.

Que seguem o vento
e depois caem.

E o que não vem ao caso.

Vocês, abram os olhos.

Eu sei por que se entregam!

Faz parte da essência da flor
derramar suas pétalas a quem
não lhe merece!

Faz parte da essência da flor
entregar ao mundo a vida
e a respiração ofegante
que nos transparece.

Faz parte da flor padecer.

Morrer!

Assim como nos humanos enamorados...

  

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Fotografias

"Tudo parece tão distante,
onde jamais ninguém conseguiu alcançar,
a perda do equilíbrio de tudo te faz ficar preso aqui.
Um dia isso tudo foi renovado.
Durante séculos continua o mesmo.
Montanhas desafiam nuvens, se chocam, molham seu rosto.
Durante muito tempo até tudo se perder outra vez....
Até tudo voltar outra vez....
Distante,
longe de tudo"